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Busanhaeng (2016)

O cinema de terror nunca mais foi o mesmo depois da trilogia de filmes de zumbi do diretor George Andrew Romero. Em Night of the Living Dead - A Noite dos Mortos-Vivos (1968) fomos apresentados aos zumbis comedores de carne humana, numa mistura de suspense, horror e crítica social. Já no segundo filme, Dawn of the Dead - Despertar dos Mortos (1978), além da sátira social sobre paranoia e a humanidade à beira do apocalipse, explora-se o potencial cômico dos zumbis, sobretudo o humor negro. Nós somos os seres acéfalos e canibais que vagam pelas cidades. Fechando a trilogia, Day of the Dead - Dia dos Mortos (1985) continua com a crítica social e com o tom cômico, mas se apoia em um cenário mais depressivo e melancólico, além de utilizar bastante a violência gráfica. Seguindo os passos de George Romero, temos o gore (sanguinolência) Braindead - Fome Animal (1992), os de horror 28 Days Later - Extermínio (2002) e Rec (2007)e na linha de humor, Shaun of the Dead - Todo Mundo Quase Morto (2004), Zombieland - Zumbilândia (2007) Død snø - Zumbis na Neve (2009).

Já o longa-metragem sul-coreano Busanhaeng (título original) ou Invasão Zumbi (em português) foca no horror e na ação, com alguns momentos de suspense. Escrito e dirigido por Sang-ho Yeon (conhecido pela animação zumbi Seoul Station - 2016), o filme conta a história de um executivo do setor financeiro, Seok Woo (interpretado por Yoo Gong, conhecido por Do-ga-ni - 2011), que concorda em viajar com sua filha, Soo-an (representada por Soo-an Kim), da capital Seul para a cidade de Busan para que ela passe um tempo com a mãe (ex-esposa de Seok). Após embarcarem em um moderno trem expresso (KTX) os passageiros descobrem que uma epidemia está assolando a Coreia do Sul, transformando boa parte da população em zumbis. Com uma pessoa infectada a bordo e com a doença rapidamente se espalhando, pai, filha e demais passageiros precisarão lutar pela sobrevivência e por suas vidas, presos dentro de um trem de alta velocidade em movimento.

  
O diretor Sang-ho Yeon realiza um ótimo trabalho, conseguindo imergir o espectador na trama narrada. Apesar de ter a maior parte de sua ação ambientada em um trem o filme possui uma narrativa dinâmica e impressiona pelo apuro visual e técnico. Ao contrário dos zumbis lentos da trilogia de George Romero, em Busanhaeng eles são extremamente ágeis, ameaçadores e letais. Outro ponto de destaque é o elenco. Mesmo se tratando de um filme de horror os personagens são bens desenvolvidos e os atores entregam performances relevantes, sobretudo Sang Hwa (interpretado por Dong-seok Ma, conhecido por Joheunnom nabbeunnom isanghannom - Os Invencíveis  - 2008), a garota no papel da filha, Soo-an Kim, e Yoo Gong atuando como o pai. Os efeitos sonoros e a música são moderados, proporcionando sustos genuínos.

Há ainda no longa-metragem alguns elementos da cultura sul-coreana, como a obsessão com educação e estudo, e uma forte crítica à sociedade moderna. A busca pelo sucesso profissional mesmo em detrimento de momentos ao lado da família e de lazer é questionada no filme, assim como a tensão social. Conflitos morais e éticos envolvendo ter empatia ou não pelos outros e seguir ou não o instinto animal da autopreservação são explorados pelos distintos perfis dos passageiros sobreviventes.

Apesar de contar com alguns clichês do gênero zumbi, Busanhaeng é um ótimo filme de horror, com bons momentos de suspense, cenas de ação bem construídas, um elenco bem escolhido e tensão na medida certa para cativar o espectador.



Título original: Busanhaeng
Título em português: ainda sem título
Diretor: Sang-ho Yeon
http://www.imdb.com/title/tt5700672/


The Shallows (2016)

Desde o clássico Jaws - Tubarão (1975) o cinema não contava com um filme de suspense envolvendo tubarão capaz de fazer o espectador se assustar e torcer pela protagonista de forma tão intensa. Dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra (conhecido por Orphan - A Órfã - 2009 e Unknown - Desconhecido - 2011) o longa-metragem The Shallows (título original) ou Águas Rasas (título em português) conta a história de Nancy (interpretada por Blake Lively, conhecida por The Age of Adaline - A Incrível História de Adaline - 2015), que vai surfar sozinha em uma praia paradisíaca e deserta no México, na qual a sua mãe visitou há décadas atrás. Após passar grande parte do dia surfando ela é atacada por um grande tubarão branco, ficando encurralada a 180 metros de distância da praia. Precisando correr contra o tempo e lutar por sua vida, a batalha pela sobrevivência exige de Nancy toda a sua habilidade, perspicácia e resistência.


Diversos são os relatos de ataque de tubarão ao redor do mundo, o que confere ainda mais drama à história narrada. Um caso recente que teve repercussão mundial ocorreu em 19 de setembro de 2015 durante a bateria final do Circuito Mundial de surfe, em Jeffreys Bays, na África do Sul. O tricampeão Mick Fanning foi surpreendido por um tubarão, que ao atacá-lo chegou a cortar a corda que prendia a prancha ao pé do australiano. Felizmente o episódio teve um final feliz e Fanning saiu ileso, conforme as imagens gravadas no dia.

Esteticamente Águas Rasas é impecável. O local escolhido para as filmagens é paradisíaco e a direção de fotografia de Flavio Martínez Labiano (também trabalhou em Unknown - Desconhecido - 2011) é belíssima. As cenas tanto dentro quanto fora d'água e as passagens de câmera aquáticas e aéreas criaram uma ambientação incrível, trazendo o espectador para dentro da trama. A utilização de câmeras não profissionais e as cenas de surf conseguem transmitir veracidade à narrativa. A direção de Jaume é atraente, cativante e ágil, explorando muito bem os planos abertos para contrastar a relação do homem com a natureza. Aqui cabe ressaltar um artifício visual que foi muito bem empregado no longa-metragem: a opção por colocar na tela mensagens de texto, fotos do Instagram e conversas em vídeo.


A atuação de Blake Lively no papel principal é eficiente, conseguindo segurar um papel difícil em um filme centrado na protagonista. A trilha sonora não possui exageros, transmitindo a tensão necessária que a história necessita. Um ponto negativo que acabou pesando no resultado final da obra foi o uso exagerado dos clichês. O roteiro e a direção pecaram por escolher soluções convencionais e poderiam ter inovado mais. Mesmo assim, The Shallows consegue prender a atenção e o interesse do espectador, que ficará tenso e atento a cada detalhe da história, esperando o desfecho da dinâmica entre a presa e o predador.


Título original: The Shallows
Título em português: Águas Rasas
Diretor: Jaume Collet-Serra
http://www.imdb.com/title/tt4052882/


Green Room (2015)

Um filme com crime, suspense, horror e punk rock: tem como ainda ficar melhor? Sim, tem! Ainda somos agraciados com as atuações de Patrick Stewart (conhecido por suas interpretações do capitão Jean-Luc Picard em Star Trek: The Next Generation - Jornada nas Estrelas: A Nova Geração - 1987-1994 e do professor Charles Xavier nos filmes do X-Men) e de Anton Yelchin (mencionando apenas alguns de seus últimos trabalhos: The Driftless Area - O Mistério de Stella - 2015, We Don't Belong Here - 2016Star Trek Beyond - Star Trek: Sem Fronteiras - 2016 e Porto - 2016). O longa-metragem Green Room (no original) ou Sala Verde (em português) ainda ganha maior importância por ser um dos últimos trabalhos em que poderemos ver o ator Anton Yelchin, falecido em 19 de junho de 2016, aos 27 anos, prensado por seu próprio carro contra uma caixa de correio de concreto na casa onde morava.

Dirigido e escrito por Jeremy Saulnier (Blue Ruin - 2013), Green Room conta a história de quatro jovens músicos, Pat (Anton Yelchin), Sam (Akia Shawkat), Tiger (Callum Turner) e Reece (Joe Cole), integrantes da banda de punk rock Ain't Rights. Com o fracasso de público na turnê e a mancada feita pelo produtor com o pagamento do show, os jovens vão se apresentar pela última vez para uma plateia de neonazistas num clube de beira de estrada nos arredores de Portland. Após o show, por um azar, eles presenciam um crime no camarim. Como as únicas testemunhas, são impedidos pelos contratantes de deixar o local, sendo trancados em uma sala. Vivendo a noite mais hardcore de suas vidas, podem eles confiar na promessa do dono do clube, Darcy (Patrick Stewart), de que tudo acabará bem?


Dois dos elementos chaves que o diretor emprega para construir a obra são a tensão e o nervosismo, utilizando-se do clima claustrofóbico de aprisionamento para criar alguns momentos inquietantes. O tom obscuro da fotografia é fundamental nesse processo, apoiando-se em ambientes pouco iluminados e sujos, além do uso da violência gráfica, para chocar o espectador. A trilha sonora é bem sutil, quase passando desapercebida em alguns momentos.

Outro chamariz, para os adeptos, é todo o trabalho de caracterização de uma banda de punk rock. Os integrantes da Ain't Rights viajam em um furgão, vivem com pouco dinheiro e em função do sonho de poderem ganhar a vida com sua música e arte. Como todo jovem músico no início de carreira, apresentam-se em espeluncas por poucos trocados e participam do cenário underground (alternativo) das cidades. Um momento engraçado e divertido do longa é quando a banda toca a música cover Nazi Punks Fuck Off, de autoria do Dead Kennedys, numa visível provocação aos neonazistas presentes.


O elenco foi bem escolhido e aqui temos que destacar as atuações de Anton Yelchin e Patrick Stewart. Interpretando duas forças antagônicas, o primeiro é sensível e intenso, enquanto o segundo é frio, calmo e meticuloso. Stewart, dando vida ao personagem de Darcy, impõe respeito e desperta medo.

Green Room é um filme com um roteiro simples: estar na hora e no local errados. Mesmo com baixo orçamento, o diretor consegue ser bem eficiente em retratar o pesadelo dos quatro jovens. Vale a pena acompanhar os próximos passos cinematográficos de Saulnier.


Título original: Green Room
Título em português: Sala Verde
Diretor: Jeremy Saulnier

http://www.imdb.com/title/tt4062536/



Z for Zachariah (2015)

Os filmes de ficção científica sempre despertaram interesse dos diretores e roteiristas e aguçaram a imaginação das pessoas. Z for Zachariah (no original) ou Os Últimos na Terra (em português), baseado no livro homônimo de Robert C. O'Brien e dirigido por Craig Zobel, é um típico filme pós-apocalíptico (para citar um filme recente nesse estilo, temos o ótimo The Survivalist - 2015que foca no drama e nas relações interpessoais. Ann Burden (Margot Robbie, conhecida por The Wolf of Wall Street - O Lobo de Wall Street - 2013) é uma jovem que sobreviveu a um desastre nuclear, que devastou quase todo o planeta, em um dos únicos pontos não atingidos pela radiação: a fazenda de sua família. Ela vivia sozinha com seu cão Faro até a aparição do cientista John Loomis (Chiwetel Ejiofor, conhecido por 12 Years a Slave - 12 Anos de Escravidão - 2013), que vinha conseguindo resistir à tragédia graças ao seu traje especial. Uma afinidade e um bom convívio são estabelecidos entre eles, mas a chegada de outro sobrevivente, o misterioso Caleb (Chris Pine, conhecido pelos filmes Star Trek - 2009 e Star Trek Into Darkness - Além da Escuridão: Star Trek - 2013), ameaça a relação entre John e Ann e abala a harmonia do lugar.


O ritmo do filme é lento, focado no drama e nos conflitos internos dos três personagens. Ao invés de ameaças externas e grandes cenas de ação e destruição, o enredo aborda as complexidades da mente humana, como o jogo de interesses, a desconfiança, o medo de ficar sozinho e as diferentes reações das pessoas quando submetidas às situações extremas. Dessa forma, o sucesso desse tipo de narrativa depende da tensão e do suspense provocados pelo roteiro conjugados ao trabalho de direção e escolha do elenco.

As atuações, diga-se de passagem, não deixaram absolutamente nada a desejar. Chiwetel Ejiofor, consegue passar toda a dualidade de seu personagem John, que é inteligente e cético, mas ao mesmo tempo é possessivo e ainda guarda alguns segredos. Margot Robbie encarna o papel de Ann, uma moça humilde, religiosa, doce e ingênua, que é vulnerável pela inexperiência de vida e pelo medo da solidão. Chris Pine completa o trio de personalidades confusas com o misterioso e manipulador Caleb, que traz consigo um passado obscuro.


A fotografia, com tomadas abertas explorando a bela natureza da região, e a boa trilha sonora são pontos positivos do longa. Mas as pequenas falhas de roteiro e direção acabaram por entregar um filme menor do que ele poderia ser. Os diálogos e o clima de tensão e embate entre os personagens deveriam ser melhor trabalhados, sobretudo no terceiro ato. Há um erro de continuidade bem visível no filme: o cão de Ann simplesmente some após a chegada de Caleb, sem nenhuma explicação. O final, construído de forma ambiciosa para possibilitar reflexão e imaginação do espectador, acaba deixando algumas pontas soltas e provocando a sensação de que faltou o aprofundamento de algumas cenas. Apesar de tudo, Z for Zachariah consegue gerar tensão e drama em alguns momentos, além de contar com ótimas atuações.


Título original: Z for Zachariah
Título em português: Os Últimos na Terra
Diretor: Craig Zobel
http://www.imdb.com/title/tt1598642/


Coherence (2013)



Existe uma expressão em inglês que é muito usada para descrever pessoas ou situações fora do comum: “it’s a real gem”. É exatamente assim que podemos classificar o filme Coherence (no original, ainda sem título em português): “é uma verdadeira joia”. Não por ter um orçamento milionário, muito pelo contrário, com um orçamento limitadíssimo desenvolve uma narrativa complexa e desafiante que consegue ofuscar várias superproduções. Ficção científica do diretor James Ward Byrkit, com pitadas de suspense e terror, o longa apresenta quatro casais, Emily e Kevin (Emily Baldoni e Maury Sterling), Beth e Hugh (Elizabeth Gracen e Hugo Armstrong), Lee e Mike (Lorena Scafaria e Nicholas Brendon) e Laurie e Amir (Lauren Maher e o Alex Manugian), que se reúnem para fazer um jantar na casa de um deles. Na mesma noite, um cometa chamado Miller passará bem perto da Terra. Acontecimentos estranhos são desencadeados, como celulares quebrando, luz acabando e pessoas tendo atitudes diferentes das suas habituais, transformando o pacato jantar em uma agitada noite de curiosos eventos.

O diretor (Byrkit) realizou um trabalho soberbo, visto que o filme foi gravado em apenas cinco noites, praticamente em um único cenário (uma casa). Os atores não sabiam o que ia ser feito, o que contribuiu bastante para o suspense do filme. Foram-lhes dados os personagens e relatados alguns traços da personalidade e estado de espírito para o dia de gravação, posteriormente colocando os gatilhos para o que iria se passar e filmando o que resultava. Aqui temos que ressaltar também o elenco, que apesar de não contar com nenhum nome conhecido, não decepciona e entrega atuações excelentes. Os 8 personagens têm suas importâncias bem divididas, com a Emily (Emily Baldoni) sendo a protagonista.


O roteiro, também escrito por Byrkit, é brilhante e complexo, explorando ao máximo todas as suas nuances. Desenvolvido com inteligência, tudo o que aparece ao longo do filme não é por acaso: falas, contextualizações e objetos. O menor dos detalhes fornece informações que mudam o entendimento do longa. Assim, os personagens fazem parte de um quebra-cabeça, nos fazendo pensar constantemente em como cada uma de suas peças se encaixa no contexto geral do filme. Até mesmo a teoria do Gato de Schrödinger (um paradoxo da física quântica) foi utilizada para tornar o filme ainda mais instigante. Para que tudo fique evidenciado para o espectador, os próprios personagens fazem marcações para estabelecer algumas coisas, sendo a protagonista uma peça-chave no acompanhamento e entendimento dos fatos.

A fotografia do filme, apesar de simples, é tão eficaz que o torna mais sombrio e intimista. Filmado inteiramente com a câmera na mão e com alguns cenários escuros, pouco se consegue enxergar em algumas cenas. Esses momentos de pura escuridão não interferem em nada no entendimento do filme, mas proporcionam ao público tensão e suspense na medida certa. A trilha sonora complementa a ambientação sombria e de suspense que foi desejada pelo diretor. Alternando entre momentos mais calmos, com um ritmo mais discreto, e outros mais agitados, transmitindo um compasso mais frenético ou tenebroso.

Coherence é um filme repleto de reviravoltas, que o deixará pensando sobre as suas diversas possibilidades. Algumas pessoas poderão desejar assisti-lo novamente, não só para entendê-lo melhor, mas principalmente para captar os diversos detalhes que passaram despercebidos.



Título original: Coherence
Título em português: ainda sem título
Diretor: James Ward Byrkit 


The Invitation (2015)




Alguns filmes bons acabam não tendo divulgação e atenção devidos, ficando posteriormente classificados como “underrated” (subestimados). The Invitation (no original; ainda sem título em português), da diretora Karyn Kusama, é um desses casos. Quanto menos informações o público tiver do enredo melhor será a experiência cinematográfica. Will (Logan Marshall-Green) era casado com Eden (Tammy Blanchard), mas após a morte acidental do filho pequeno deles, eles se divorciam e ela vai embora sem dar notícias. Dois anos mais tarde, ela volta a procurar o ex-marido, convidando-o mais sua namorada Kira (Emayatzy Corinealdi) para um jantar de reconciliação e reencontro com velhos amigos do casal. Além desses amigos em comum, o jantar reúne Sadie (Lindsay Burdge) e Pruitt (John Caroll Lynch), pessoas desconhecidas para Will. Acompanhada de seu novo marido, David (Michiel Huisman), Eden está totalmente diferente de como era antes, despertando em Will a suspeita de que os anfitriões têm planos sinistros contra ele.

The Invitation oferece ao público uma história com ritmo lento, projetando drama, suspense e mistério, além de ter um toque de paranoia que acaba por aguçar a curiosidade do espectador. Assim como o protagonista, nos sentimos cada vez mais desconfortáveis, vendo maus presságios em todos os lugares. A casa, os visitantes e suas atitudes passam a despertar dúvidas e questionamentos.


Cabe ressaltar as ótimas atuações de todo o elenco. Will (Logan Marshall-Green), imprevisível e desconfiado ao nível de quase se tornar paranoico, Eden (Tammy Blanchard) com um instinto melodramático, Sadie (Lindsay Burdge) extrovertida, desprendida e selvagem e Pruitt (John Caroll Lynch), com uma calma e frieza muito peculiar. Todos esses traços, juntamente com uma trilha sonora bem dosada e sem excessos, provocam a sensação de tensão carregada em um ambiente onde todos parecem suspeitos. Afinal, existe uma conspiração ou tudo não passa de imaginação do protagonista?




Título original: The Invitation
Título em português: ainda sem título
Diretor: Karyn Kusama 
http://www.imdb.com/title/tt2400463/

10 Cloverfield Lane (2016)

Poucos filmes de suspense conseguem mexer tanto com a sua cabeça a ponto de você não mais saber o que realmente está acontecendo ali. 10 Cloverfield Lane (no original) ou Rua Cloverfield, 10 (em português) é um desses filmes. Após sofrer um acidente de carro, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) acorda sobre um colchão no chão, trancada em um quarto de porão. Desesperada, ela recebe a visita de Howard (John Goodman), que a informa que o mundo como ela conhece não existe mais, devido a um ataque químico. Ele a salvou e a trouxe para dentro de seu bunker, onde estão seguros. Emmett (John Gallagher Jr.) também foi ajudado por Howard e completa o trio principal. Desconfiada da história e sem saber em quem confiar, ela tenta obter respostas e descobrir um modo de sair do local.

O diretor Dan Trachtenberg realizou um trabalho impressionante ao saber jogar com as expectativas do público sobre o que de fato é real ou paranoia dos personagens. É como se fossemos a extensão das dúvidas da protagonista Michelle. Grande parte desse sucesso se deve às atuações de Mary Elizabeth Winstead, numa mistura de vulnerabilidade e força, e John Goodman, em uma das melhores performances de sua carreira, com um personagem dúbio e instável, alternando entre protetor, ameaçador e louco.

Tenso e empolgante, com uma ótima fotografia e trilha sonora sob medida, Rua Cloverfield, 10 tentará enganá-lo, provocando ao longo do filme a expressão “what the fuck is going on?” (mas que diabos está acontecendo ali?). Assista e tente descobrir.





Título original: 10 Cloverfield Lane
Título em português: Rua Cloverfield, 10
Diretor: Dan Trachtenberg 
http://www.imdb.com/title/tt1179933/

Ich Seh Ich Seh (2014)


Alguns filmes são melhores apreciados quando pouco ou nada se sabe de sua história. Esse é o caso do filme austríaco de horror/suspense dos diretores Severin Fiala e Veronika Franz: Goodnight Mommy (Ich seh, Ich seh no original; Boa noite mamãe no Brasil). Numa casa isolada, em algum lugar da Áustria, os gêmeos Elias (Elias Schwarz) e Lukas (Lukas Schwarz), de nove anos, esperam a mãe (Susanne Wuest) retornar para casa após passar por uma cirurgia plástica. Porém, com o rosto enfaixado e com um comportamento diferente e pouco afetuoso, os garotos passam a duvidar se realmente é a mãe deles quem está ali. Isso a faz uma impostora, como eles cada vez mais suspeitam, ou apenas uma mãe ruim?

E é na figura da mãe que reside a melhor construção do filme. Na primeira cena em que ela aparece, ao abrir e fechar as cortinas e encarar os filhos de forma severa, somos abatidos pelo temor deles, que se assustam ao olhar aquela criatura estranha com o rosto coberto. Como as crianças são o foco da narrativa, acompanhamos a história sob o prisma deles, o que acaba por ressaltar apenas um lado dos fatos.


As performances são intensas, com os gêmeos Elias e Lukas Schwarz, que emprestam seus nomes para os personagens, e a mãe interpretada por Susanne Wuest, atuando de forma exemplar. Os aspectos psicológico e emocional dos personagens são muito bem trabalhados, contribuindo para apimentar o drama familiar. Os diretores Severin Fiala e Veronika Franz realizaram um trabalho primoroso ao explorar o conflito decorrente da dúvida dos meninos.

Goodnight Mommy é um filme que deixará, por vários dias, o espectador imerso em questionamentos sobre o que aconteceu ali. Ele também fará com que casais repensem seriamente a vontade de ter filhos...




Título original: Ich seh ich seh
Título em português: Boa noite mamãe
Diretor: Sererin Fiala, Veronika Franz 
http://www.imdb.com/title/tt3086442/

 
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